Pandemia impediu 12 mil cirurgias no Rio Grande do Norte

Durante o ano de 2020, deixaram de ser realizadas 12.818 cirurgias em todo o Rio Grande do Norte, no comparativo com o ano de 2019. Com a rede hospitalar afetada pela pandemia do novo coronavírus, o Governo do Estado viu a necessidade de suspender as cirurgias eletivas, ou seja, aquelas que não impactam num risco iminente à vida do paciente.

O fenômeno se repetiu em todo o país, onde 1 milhão de procedimentos deixaram de ser realizados no ano passado. Ainda não há previsão de quando o ritmo de operações cirúrgicas voltará à normalidade, porque depende da melhora no cenário pandêmico, mas somente nos dois primeiros meses de 2021 já foram realizados mais de 13 mil procedimentos no Estado.

As cirurgias eletivas foram suspensas em março de 2020 e permaneceram assim até agosto, em decorrência de medidas de segurança para os pacientes e como forma de garantir mais leitos para pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Enquanto em 2019, sem pandemia, a rede hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS), seja estadual ou de gestão municipal gerenciada pelo Estado, executou 91.708 procedimentos de todos os tipos, em 2020 esse número caiu para 78.890, ou seja, uma redução de 14%, segundo dados do Data SUS, departamento de informática do Sistema Único de Saúde.

A fila de espera por uma cirurgia chegou a 8 mil pacientes em 2020. O balanço é feito a cada quadrimestre e o primeiro deste ano ainda não foi concluído. Nele já estará incluída a dona de casa Enia Flávia Nogueira, de 41 anos.

Desde o mês de setembro ela descobriu que sofre de endometriose profunda, uma doença caracterizada pela inflamação das células do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, que crescem e causam lesões em outras partes do organismo. A partir de então, ela vem necessitando de uma cirurgia de histerectomia total, quando é retirado o útero na sua totalidade, com colectomia, para remover a totalidade ou parte do cólon, mais conhecido como intestino grosso.

“Consegui fazer alguns procedimentos no Hospital Onofre Lopes. Fiz todos os exames, o risco cirúrgico, e recebi o encaminhamento para internação que tem validade de seis meses, mas já me informaram que não tem data prevista para acontecer”, contou a paciente.

O medo de Enia é o mesmo de todas as pessoas que precisam realizar uma cirurgia, mesmo que não seja de emergência, e não sabem quando isso acontecerá. “Eu temo que a doença avance porque, como é infiltrativa, pode comprometer qualquer órgão, como já comprometeu meu sistema reprodutivo. Meu medo é que se alastre para outras partes do meu corpo e eu venha a piorar”, desabafou.

Além do perigo da doença a acometer de forma mais brusca por causa da demora em realizar o procedimento, ao final dos seis meses, Enia precisará de novo encaminhamento, podendo até ser necessário realizar todos os exames novamente, inclusive alguns, que ela precisou pagar na rede privada para agilizá-los.

No caso dela, se o prazo expirar e a cirurgia não acontecer, será preciso conferir se o encaminhamento foi inserido em lista na Secretaria Municipal de Saúde e ser reavaliada em ambulatório de referência para, mais uma vez, ser encaminhada à cirurgia. Atualmente, as cirurgias como a dela, de histerectomia, de hérnia e de vesícula são as de maior demanda dentro do quadro de cirurgias gerais. Por isso, quando forem liberadas, o número de pessoas à espera deverá pressionar o sistema de saúde, já compelido pela pandemia.

A Sesap ainda não estimou um prazo para voltar à normalidade dos procedimentos cirúrgicos que estão suspensos. Na última portaria, do dia 5 de abril, o secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia, determinou que a Sesap faça o monitoramento epidemiológico da covid-19 para garantir a retomada dos serviços assim que for possível.

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