Pacientes são transferidos de hospital da Grande Natal por falta de oxigênio; familiares relatam desespero

Ambulância do Samu se prepara para transferir paciente do Hospital Municipal de Ceará-Mirim, na Grande Natal, por falta de oxigênio. — Foto: Julianne Barreto/Inter TV Cabugi

A madrugada e a manhã de sábado (20) foi de apreensão para familiares de pacientes internados no Hospital Municipal Dr. Percilio Alves, em Ceará-Mirim, na Grande Natal. Sem oxigênio suficiente para atender toda a demanda, a unidade precisou transferir pacientes para outras unidades de saúde do estado.

“Faltou oxigênio pela manhã e a madrugada toda. 30 pessoas aqui. Não tinha oxigênio. Passei a madrugada aqui na frente do hospital sem ter por quem chamar. Minha tia saiu entubada para Macaíba às 7h. Saiu daqui porque não tinha oxigênio”, afirmou, chorando, o motorista Reneê Cláudio Dantas, de 43 anos. A tia dele, Maria Cícera, 59 anos, está com Covid-19.

Ilma Cruz afirma que a cena era desesperadora no início da manhã. Ela chegou à unidade por volta das 4h, com o irmão, que precisava de internamento. Ambulâncias estavam na unidade, fazendo o transporte de passageiros. “Foi um desespero. Falaram que estava faltando oxigênio. O que podiam fazer, estavam fazendo. A culpa não é dos enfermeiros”, afirmou.

Em entrevista à Inter TV Cabugi, a diretora do hospital, Jumaria Mota, afirmou que nenhum paciente ficou sem oxigênio, mas confirmou que os que estavam em estado mais graves e que usam mais gás foram transferidos para que o insumo não acabasse, pela alta demanda.

A unidade funcionava com 3 cilindros de oxigênio para cada 5 horas, mas triplicou o consumo durante a pandemia. O hospital não é referência para Covid-19, mas recebe pacientes com a doença, no município.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o Hospital Municipal Dr. Percílio Alves foi abastecido pelo fornecedor municipal no fim da manhã de sexta-feira (19), porém a quantidade estimada para durar até às 13h deste sábado, devido ao consumo elevado, durou apenas até as primeiras horas da manhã.

G1 RN