Leitos de UTI no São Luiz são bloqueados por falta de kit intubação e insumos

Um total de 11 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratamento exclusivo da Covid-19 no Hospital de Campanha São Luiz (HCSL), em Mossoró, estava bloqueado até meados da tarde desta segunda-feira, 26. De acordo com o Regula RN, plataforma que acompanha em tempo real a situação dos leitos críticos para o tratamento da doença em todo o Rio Grande do Norte, o motivo do bloqueio era a falta de insumos e de kit intubação.

O número de leitos bloqueado na unidade hospitalar caiu para sete depois das 17 horas, conforme informou a ferramenta. Quatro leitos deles foram desbloqueados para a assistência aos pacientes acometidos ou com sintomas graves da doença e logo ocupados.

Segundo o sistema, três desses leitos foram bloqueados no último sábado, 24. Todos eles faltavam kit intubação no momento do bloqueio. Outros três foram bloqueados no domingo, 25. Estes faltavam insumos quando foram fechados momentaneamente. Já os demais foram bloqueados durante esta segunda-feira, 26. Todos estavam com falta de kit intubação.

Até o final da tarde de ontem (26), todos os 43 leitos críticos da unidade que serve de hospital de campanha na Capital do Oeste estavam ocupados, perfazendo 100% de taxa de ocupação naquele momento.

A última vez que o Hospital São Luiz teve taxa de ocupação abaixo de 95% foi no início do mês passado. Em 06 de março, a taxa de ocupação estava em 91,11%. Eram 41 leitos ocupados dos 45 disponibilizados naquele dia. Em todo esse período o percentual de leitos ocupados sempre esteve acima dos 97% e em vários dias o hospital atingiu a ocupação máxima.

Faz 13 dias seguidos que o Hospital São Luiz tem todos os leitos de UTI para tratamento da Covid-19 ocupados. A série teve início no último dia 14 desse mês. O cálculo da taxa de ocupação diária é feito todos os dias às 00h.

KIT INTUBAÇÃO

O kit intubação é essencial para realizar o procedimento médico utilizado em casos de Covid-19 grave, quando a capacidade de respiração é afetada, conforme ressaltou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O kit é um conjunto de remédios, que inclui anestésicos, relaxantes musculares e sedativos, utilizados para sedar o paciente e evitar que sinta dor enquanto é feita a intubação, procedimento que auxilia na respiração por meio de um tubo colocado na garganta; ventilador mecânico e oxigênio também fazem parte do kit.

100% DE OCUPAÇÃO

A Região Oeste do Rio Grande do Norte, capitaneada por Mossoró, tinha 100% de taxa de ocupação de leitos críticos até o fechamento desta matéria. Era o maior percentual entre as regiões medidas pelo Regula RN.

A Região Metropolitana estava com 96,1%, média maior do que o registrado em todo o território potiguar que era de 95,7%. O Seridó apresentava a menor taxa com pouco mais de 82% (82,5%) dos leitos de UTI ocupados.

A plataforma Regula RN explica que neste cálculo da taxa de ocupação de leitos críticos são desconsiderados os leitos bloqueados, destaca-se que o total de leitos bloqueados varia durante o dia.

Além do Hospital São Luiz, em Mossoró, os outros seis hospitais da região com leitos para tratamento da Covid-19 estavam com todos os leitos ocupados até o encerramento desta reportagem. O Hospital Regional Doutor Cleodon Carlos de Andrade, em Pau dos Ferros, tinha todos os seus 15 leitos de UTI ocupados. Já os 13 leitos disponibilizados pelo Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) também estavam ocupados.

Na mesma situação de 100% de taxa de ocupação estavam o Hospital Rafael Fernandes, em Mossoró, (todos os 10 leitos ocupados), o Hospital Regional Nelson Inácio dos Santos, em Assú, (todos os 10 leitos ocupados), o Hospital da Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer, em Mossoró, (todos os 08 leitos ocupados), e Hospital Regional Hélio Morais Marinho, em Apodi, (todos os cinco leitos ocupados).

LISTA DE ESPERA

A Central de Regulação do Oeste apontava que 15 pacientes esperavam por uma vaga em um dos hospitais com leito de UTI para o tratamento do novo coronavírus até o encerramento desta edição. Naquele momento, nenhum leito crítico estava disponível.

Ainda de acordo com a central, não havia nenhum paciente com perfil de leito crítico aguardando avaliação do prestador/hospital. Já um paciente com perfil de leito de UTI aguardava transporte.

O Oeste potiguar contava 17 leitos clínicos vagos. Três pacientes com perfil deste leito estavam na lista de espera por um desses leitos. Já três deles aguardavam avaliação do hospital para conseguir um leito e nove aguardavam transporte para serem transferidos.

A Central de Regulação do Oeste é responsável pela regulação dos leitos das seguintes regiões de saúde: 2ª Mossoró, 6ª Pau dos Ferros e 8ª Açu.

Defato.com