Pandemia faz educação perder 72.205 empregos em um ano

Foi o segundo setor que mais registrou demissões com o impacto das restrições por causa da covid-19

Colégio Santa Maria, que montou carteiras com proteção de acrílico, passa por higienização
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

Com as escolas fechadas há dez meses por causa da pandemia de coronavírus, o setor de educação demitiu 72.205 trabalhadores em 2020. Apesar de o Brasil ter fechado o ano com criação de mais de 142 mil vagas formais, o segmento registrou saldo negativo. Foram afetados principalmente trabalhadores que atuam nos ensinos infantil e fundamental, que tiveram o maior impacto com as medidas de restrição para evitar a covid-19.

Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados na quinta-feira (28), a educação foi o segundo setor que mais demitiu trabalhadores com carteira assinada no acumulado do ano passado. Ficou atrás apenas de alojamento e alimentação, que incluem hotéis, bares e restaurantes, com 227.896 demissões. Este segmento, que faz parte de serviços, demou a voltar e ainda enfrenta desafios.

O mês de dezembro, que costuma tradicionalmente apresentar mais desligamentos do que contratações, concentrou a maior parte das demissões na educação no país, com 42.024. Só no estado de São Paulo foram 17.496 profissionais dispensados. O saldo negativo do setor de educação acabou influenciando também o de serviços em dezembro, segundo o secretário de Trabalho, do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo.

“Como o setor de educação não reabriu ao longo do ano, as prefeituras optaram por manter as escolas fechadas na sua maioria ou por uma redução muito expressiva, somado ao fato de que o final do ano também é fortemente negativo por causa do encerramento letivo, entrada de férias e substituição de professores”, explicou o Dalcolmo, em entrevista coletiva.

A educação infantil teve o maior impacto nos números de demissões, onde houve uma perda de até 30% dos alunos, segundo o Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo). “Já era esperado que a gente tivesse um número bastante grande de demissões na educação infantil, enquanto não tivermos as aulas regularizadas”, afirma Benjamin Ribeiro da Silva, presidente do sindicato.

Portal R7