RN perde 670 milhões de reais por ano de receita com lixo não reciclado

Ao não separar e reciclar materiais recicláveis – papel, plástico, metal, papelão -, o Rio Grande do Norte perde uma receita financeira de R$ 670 milhões por ano e deixa de usar 40% da indústria de transformação desses resíduos que está ociosa.

Segundo o presidente do SindRecicla do RN, Etelvino Patrício de Medeiros , um grande exportador de metal e alumínio, hoje, de tudo que poderia ser reciclado no Estado apenas 3% são aproveitados pela indústria local ou apenas 8 mil toneladas por mês.

Entre os muitos gargalos trabalhados pelo setor está a legislação que proíbe que condomínios, bares, restaurantes e afins comercializem (eles só devem doar) seus resíduos para a indústria. “Ao solucionar esse gargalo seria possível triplicar facilmente esse volume reciclado de oito para 25 mil toneladas por mês”, sustenta Patrício.

Em tempos de pandemia, com a economia ainda mais debilitada pela crise sanitária que liquidou milhares de negócios e milhões de empregos, o empresário diz que a reciclagem é uma questão ainda subestimada pela sociedade.

“O problema é que, culturalmente, as pessoas enxergam o lixo como um problema, quando ele é a solução”, resume. Do ponto de vista ambiental, o descarte inadequado de resíduos aumenta a proliferação de vetores e o risco de doenças como a leptospirose, dengue e, agora, a Covid-19.

O lixo contaminado com o novo vírus exige tratamento que elimine ou reduza sua carga microbiana, segundo classificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e isso à rigor não ocorre.

O empresário Roberto Serquiz, que presidiu o SinbdRecicla por seis anos, não tem dúvida que a indústria da reciclagem, além de resolver o descarte correto do lixo que não é lixo, faz parte das saídas econômicas.

“Eu vejo que já avançamos, uma vez que essa indústria está dentro do Proedi, o programa de estímulo industrial do RN, e existe uma política definida de reciclagem dentro da indústria da construção civil, mas há muitos problemas a serem resolvidos”, afirma Serquiz.

AGORA RN