Inflação pesa cada vez mais na mesa dos brasileiros

(foto: Ana Rayssa/CB)

O dragão da inflação está voltando com força. A carestia dá sinais de que pode ficar por um período prolongado, apesar de o país estar atravessando a pior recessão da história. Os custos para o produtor e os preços no atacado já rodam na casa de dois dígitos e os alimentos da cesta básica dispararam, afetando, principalmente, os mais pobres.

Na véspera da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, a Fundação Getulio Vargas (FGV) disponibilizou os dados do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que mostram o que pode afetar o bolso do consumidor mais para a frente. O indicador avançou 3,87% em agosto, a maior alta desde novembro de 2002. No acumulado do ano e em 12 meses, as variações foram de 11,13% e de 15,25%, respectivamente.

Segundo o economista André Braz, da FGV, o indicador refletiu o impacto da alta do dólar nos custos dos produtores. Por outro lado, o câmbio ajudou as exportações, pois o país está vendendo como nunca para a China. “O problema é que isso está desabastecendo o mercado interno e, por isso, os preços dos alimentos estão subindo”, explicou Braz.

A alta da moeda norte-americana acumula valorização de 35% em 12 meses até agosto, segundo a FGV. Com isso, subiram os custos de importação de alimentos que o país não produz o suficiente para atender o mercado interno, como trigo e arroz.

Conforme informações apuradas pelo Blog do Vicente, o presidente Jair Bolsonaro criou um grupo para monitorar os preços dos alimentos. Ele descartou a possibilidade de tabelamento, mas disse esperar que o varejo reduza para “próximo de zero” a margem de lucro obtida dos itens de primeira necessidade. Procurada, a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) não comentou o assunto. O blog apurou ainda que uma das empresas que mais está lucrando com a alta dos alimentos é a JBS.

Blog do Vicente/Correio Braziliense