Indústria recua 1,3%, em abril, e fica 1% abaixo do patamar pré-pandemia

Um dia após o governo comemorar o dado positivo do Produto Interno Bruto (PIB), que cresceu 1,2% no primeiro trimestre de 2021, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga um dado que joga um balde de água fria nos ânimos do mercado. A produção industrial caiu 1,3% em abril na comparação com o mês anterior, na série com ajuste sazonal, fazendo o setor produtivo ficar 1% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020.

Com esse resultado, a produção industrial fica 1% abaixo do patamar pré-pandemia, apresentando queda disseminada por 18 das 26 atividades pesquisadas, de acordo com o IBGE. O resultado da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de abril foi pior do que a mediana das previsões do mercado, que esperava recuo de 0,2%. Foi a terceira queda seguida da atividade industrial, acumulado desempenho negativo de 4,4% no período.

O economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, reconheceu que os dados da produção industrial estão na contramão da onda otimista em relação aos dados do PIB . “Estes dados contrapõem-se aos dados do PIB do primeiro trimestre divulgados ontem e apontam que a recuperação econômica ainda é incipiente de certa forma”, destacou.

Para economistas da XP Investimentos, que acaba de revisar de 4,1% para 5,2% a projeção de crescimento do PIB deste ano, o dado da indústria o dado da produção industrial “decepciona em abril”, mas a instituição, que esperava queda de 0,4%, prevê recuperação nos próximos meses. A entidade prevê expansão de 8,5%.

” A recuperação robusta da economia global deve beneficiar as exportações de bens manufaturados, o que é particularmente positivo para as atividades de produtos alimentícios; produtos de madeira; couro e calçados; papel e celulose; metalurgia e outros equipamentos de transporte”, destacou a XP, em nota na qual reconheceu que os problemas na cadeia de suprimentos da indústria, com destaque para o setor automotivo, “permanecem como principal risco a ser monitorado nos próximos meses”.

Blog do Vivente/Correio Braziliense