Dieese: patamar dos preços de alimentos mudou e não deve voltar aos do início de 2020

Sabe aquele pacote de 5 kg de arroz a menos de R$ 20 ou garrafa de óleo de soja a menos de R$ 4 que você pagava no início de 2020? Pode esquecer desses valores. O aumento de preços desses produtos básicos registrado ao longo do ano passado não foi sazonal. Ele veio para ficar.

A avaliação é da economista Patrícia Lino Costa, supervisora de Pesquisas do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “Houve uma mudança de patamar de preços, não tem volta”, afirmou à Fórum. No máximo, segundo a economista, os valores podem se reduzir um pouco, mas sempre em percentuais menores do que os de aumentos já registrados. E não é só no arroz e no óleo de soja: carne bovina, leite e derivados passam pelo mesmo processo.

Patrícia faz a análise embasada no que a pesquisa dos preços da cesta básica do departamento mostrou. Ao longo de 2020, os valores do conjunto de alimentos necessário para as refeições de uma pessoa adulta ao longo de um mês subiram em todas as 17 capitais pesquisadas. A variação foi de 17,76% em Curitiba – menor taxa – a 32,89% em Salvador – maior índice encontrado.

Em São Paulo, onde a coleta de preços se manteve presencial, a cesta teve o maior valor do país: R$ 631,46 em dezembro, alta de 24,67% no ano.

Essa quantia representou, ainda, 53,45% do valor do salário mínimo, maior fatia desde 2008, quando o trabalhador usou 57,68% do piso nacional para adquirir a cesta.

Forum

Qual sua opinião?