Crédito imobiliário cresce 58,9 no RN em 2020

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Os financiamentos para a compra e a construção de imóveis no Rio Grande do Norte, em 2020, ano de forte restrições econômicas devido à pandemia do novo coronavírus, fecharam em alta. Dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontam um crescimento de 69,8% na quantidade de unidades financiadas e de 58,95% no volume de recursos direcionados para o setor.

No ano passado, os financiamentos somaram R$ 695,6 milhões ante os R$ R$ 437,6 milhões registrados em 2019. Em número de unidades financiadas no Estado, o quantitativo foi o seguinte: 2.960 ano passado contra 1.760 no ano anterior.

Em decorrência da pandemia, a demanda de crédito imobiliário chegou a cair por alguns meses, mas iniciou uma forte recuperação a partir de junho, com ganho de força ao longo do segundo semestre, impulsionada pela taxas baixas de juros. Mas o levantamento mostra a partir de junho, houve recuperação.

Os meses que mais concentraram operações de financiamento para compra e a construção de imóveis foi entre junho e dezembro, com pico de 398 unidades financiadas no último mês do ano. Os dados relativos ao Estado apontam uma alta de 148,75% em dezembro, quando os empréstimos somaram R$ 122,7 milhões, com 398 unidades financiadas. Em igual mês de 2019, o volume de recursos foi de R$ 33,4 milhões para 160 imóveis.

O movimento segue o mesmo comportamento nacional. No País, o volume de imóveis financiados somou R$ 123,97 bilhões em 2020, crescimento de 57,5% na comparação com 2019. O resultado foi o maior da história, superando o montante de R$ 112,9 bilhões visto em 2014, último ano do ciclo de “boom” imobiliário.

No mês de dezembro, os empréstimos foram de R$ 17,47 bilhões, alta de 26,2% em relação a novembro e avanço de 101,6% frente ao mesmo mês do ano anterior. O desempenho representa o maior volume nominal mensal registrado desde julho de 1994, quando foi lançado o Plano Real.

Os dados, divulgados pela Abecip, consideram apenas os financiamentos com recursos originados nas cadernetas de poupança. Não entram aí, os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que abastecem o programa Casa Verde e Amarela, que substituiu o Minha Casa Minha Vida. Em termos de número de unidades compradas e construídas, a pesquisa apontou que foram financiados 426,8 mil imóveis em 2020, resultado 43,2% superior ao de 2019, quando foram 298 mil

Nova marca
Para 2021, a Abecip projeta um novo recorde no crédito imobiliário, de R$ 157 bilhões, o que, se confirmado, significaria um aumento de 27% em relação ao valor de 2020. Segundo a presidente da associação, Cristiane Portella, a previsão de expansão é resultado da combinação de vieses positivos entre consumidores, bancos e construtoras. Ela destacou que a queda nos juros aumentou o poder de compra da população. “A melhora das taxas ampliou o número de pessoas capazes de fazer a aquisição. A taxa estava acima de 10% ou 11% em 2017. Hoje está abaixo de 7%. Isso é muito positivo”, enfatizou.

Além disso, há um movimento de valorização das residências, já que as pessoas estão passando mais tempo em casa por causa da pandemia.

A executiva disse não acreditar na possibilidade de uma eventual alta imediata nos juros dos financiamentos neste ano se a projeção do mercado para elevação da taxa básica, a Selic, se confirmar. “Para o curto prazo, não devemos ter aumento de taxa”, citou. “Há bastante competição no setor.”

Ela acrescentou que também vê um movimento de aumento na concessão de licenciamento para empreendimentos imobiliários, bem como avanço na construção de projetos lançados nos meses anteriores – fatores que também alimentarão a demanda de crédito pelas empresas. Por fim, Portella citou que o ambiente jurídico é seguro para os bancos, o que sustenta o apetite das instituições financeiras pela ampliação das carteiras de crédito. (Com informações da AE)

Tribuna do Norte