Copom eleva juros para 2,75% ao ano, em tentativa de conter a inflação

O Comitê de Política Monetário (Copom) decidiu nesta quarta-feira (17/3) aumentar a taxa Selic (a taxa básica da economia e que regula os juros) em 0,75 ponto percentual, elevando o índice para 2,75% ao ano. É a primeira vez desde 2015 que o índice sofre aumento. A medida busca controlar a inflação, que já chegou a 5,2% em 12 meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro.

Sob os efeitos da pandemia da Covid-19, o consumidor sente cada vez mais no bolso esse aumento dos preços, principalmente na hora de abastecer o carro ou ir ao mercado. Isso porque a inflação está se refletindo nas commodities. O petróleo, por exemplo, se aproxima dos US$ 70, e o setor alimentício teve alta média de 15% nas últimas semanas.

Neste cenário, outro fator contribui para pressionar a inflação: a valorização do dólar. Às 16h desta quarta-feira, a moeda americana era negociada por R$ 5,58. O aumento dos juros, portanto, tem como objetivo dificultar o acesso da população ao crédito. Com isso, as empresas têm menos demanda, e os preços caem.

A decisão do Copom é contraditória, porque envolve subir os juros no momento em que a economia está em crise. Enquanto parte do mercado elogia a mudança, alguns especialistas criticam. O professor e economista da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecaf) Diogo Carneiro, por exemplo, afirma que essa movimentação pode ser inócua para conter a inflação nesse momento.

Metrópoles