Nova tecnologia criada na UFRN permite obtenção de nanopartículas

Pesquisador durante uma das etapas, a de gotejamento, para a formulação das nanopartículas.

As nanopartículas magnéticas, substâncias minúsculas com tamanho da ordem de um metro dividido por um bilhão, têm recebido crescente interesse devido às inúmeras aplicações em variados campos, como Engenharia e Biomedicina. São exemplos de seu uso a entrega inteligente de fármacos, situação na qual o medicamento é conduzido dentro do corpo e liberado no local da enfermidade, ou ainda sua utilização na destruição de células cancerígenas.

Pois um processo de síntese para a obtenção de nanopartículas magnéticas acaba de ser objeto de um depósito de pedido de patente por cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com pesquisadores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Denominado Processo químico de síntese de nanopartículas monofásicas e com estrutura núcleo@casca, o processo possibilita a obtenção de nanopartículas magnéticas monofásicas e multifásicas (núcleo@casca) com alto controle de pureza, tamanho e reduzida dispersão associada ao tamanho de grãos.

“Essa última parte quer dizer que as partículas obtidas tendem a terem tamanhos parecidos umas com as outras, pois há vários métodos onde isso não ocorre, havendo assim partículas com tamanhos extremamente variados. Como nanopartículas magnéticas possuem propriedades fortemente dependentes do tamanho, quando uma única amostra possui tamanhos de partículas muito variados, vira uma ‘bagunça’”, colocou José Jayson Xavier de Sousa. Atualmente doutorando do Programa de Pós-Graduação em Física da UFRN, ele tem como orientador o professor Felipe Bohn.

O docente explica que esses materiais têm propriedades magnéticas fortemente dependentes do tamanho. Ele citou o exemplo de um fenômeno denominado superparamagnetismo como uma das evidências mais clássicas desta influência. A existência do fenômeno está vinculada ao tamanho das partículas, pois atinge apenas partículas com diâmetro menor que 30 nanômetros.

Professor do Departamento de Física Teórica e Experimental, Bohn pontuou que “com os avanços nos métodos de sínteses, abriram-se inúmeras possibilidades para o desenvolvimento de nanopartículas magnéticas mais avançadas, compreendendo dois ou mais materiais, que podem combinar as diferentes funcionalidades de seus constituintes, trazendo propriedades novas e aprimoradas que podem resultar em aplicações inovadoras. Em particular, nanopartículas possuem propriedades magnéticas que variam com as dimensões. Neste sentido, há grande interesse em obter esses materiais com tamanho específico, de forma a, assim, controlar suas propriedades magnéticas ainda no processo de produção, como através do processo de síntese desta patente”.

Além de doutorando e orientador, o pedido de patente tem como autores também os seguintes pesquisadores: Ernani Dias, Michelle Queiroz, Rodolfo Bezerra, Carlos Iglesias, João Carlos R. de Araújo, Cristiani C. Plá Cid, João M. Soares, Suzana N. de Medeiros, José Luís C. Fonseca e Marcio A. Correa. O grupo frisou que, em relação ao desenvolvimento da tecnologia, o processo de síntese já se mostrou eficiente para a obtenção dos materiais almejados e que, inclusive, estão patenteando a rota de produção de amostras específicas, as quais podem ser otimizadas a fim de obterem propriedades específicas para aplicações particulares.

*Wilson Galvão – Agência de Inovação da Reitoria/UFRN