Brasil tem o maior sistema público de transplantes de órgãos do mundo

Foto: Arquivo/Elza Fiúza/Agência Brasil

Cerca de 96% dos transplantes de órgãos são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com o Ministério da Saúde. Até setembro deste ano, foram 6.719 transplantes de órgãos sólidos, segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

O número salta para 17.714, quando incluídos os de córneas, o que faz do Brasil o segundo país que mais transplanta, depois dos Estados Unidos, em números absolutos, porém, considerando a taxa de 17 transplantes por milhão de pessoas (pmp), o Brasil é o 23º colocado. Mas, no acesso, é líder.

O maior sistema público do mundo de transplantes enfrenta dois desafios: falta de doações e de financiamento.

“É uma atividade de alta complexidade, que exige muita competência médica e da equipe, além de estrutura hospitalar. O SUS estruturou uma rede de assistência no país inteiro. O transplante é aquela pontinha da alta complexidade para toda essa demanda”, diz Daniela Ferreira Salomão, coordenadora do Sistema Geral de Transplantes.

Até setembro, a ABTO registrou 36.468 pessoas em lista de espera, mas, na sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que a lista de outubro fechou com 45.714 pacientes. Os números, porém, ainda não foram desmembrados por tipos de órgãos.

Segundo Daniela, a demanda é sempre crescente, principalmente porque a população está vivendo mais e os idosos, precisando, cada vez mais, de terapia renal. “Quando a gente tem uma doação, vai um rim para cada paciente, mesmo assim é a maior fila. É a primeira demanda de transplante de órgãos sólidos disparado”, explica.

Ela afirma que é preciso sensibilizar as pessoas para serem doadoras e para reduzir a necessidade de transplantes. “Tem que conscientizar a população da necessidade de fazer check-up, avaliações e seguir os tratamentos adequadamente, para evitar a progressão de doenças que um dia vão requerer um transplante”, aconselha. Segundo o chefe do Serviço de Urologia e médico transplantador do Hospital Brasília, Fransber Rodrigues, doenças como diabetes e pressão alta podem evoluir para uma insuficiência renal, o que pode levar à necessidade de um transplante.

Na opinião do presidente da ABTO, Paulo Pêgo, o copo está meio vazio e meio cheio. “O Sistema Público de Saúde tem uma grande vantagem. Todos têm acesso e é transparente. A desvantagem é que é subfinanciado. Boa parte dos hospitais públicos está em crise, com problemas de leitos, com UTIs desativadas e, obviamente, isso impacta. Vários hospitais não têm interesse em fazer transplante para não ter prejuízos”, explica.O orçamento para transplantes este ano é de R$ 1 bilhão.

Segundo Pêgo, transplantes de córnea são os mais baratos e o custo de manter pacientes em hemodiálise é maior do que o do transplante. Por isso, esses procedimentos são cobertos pelos Planos de Saúde. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o rol da Agência “determina a cobertura de transplantes de rim, córnea e medula óssea autólogo (medula do próprio indivíduo) ou alogênico (medula de doador vivo); nesses dois últimos casos, sob condições, e há cobertura de despesas com doadores vivos, beneficiários ou não do plano do receptor”.

Correio Braziliense

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