‘o impeachment de Bolsonaro seria “desastroso” ao País’, diz Fux

O ministro Luiz Fux. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, afirmou que o impeachment de Bolsonaro seria “desastroso” ao País. A declaração foi dada em entrevista ao Estado de S.Paulo.

“Em uma pós-pandemia, em que o País precisa se reerguer economicamente, atrair investidores e consolidar a nossa democracia, eu acho que seria um desastre para o País. O Brasil não aguenta três impeachments. O Brasil tem de ouvir o povo e o povo é ouvido através de seus representantes que estão no Parlamento. Acho que o impeachment seria desastroso.

Pensando em uma possível linha sucessória, o presidente do STF não vê Arthur Lira como um dos melhores quadros ao País. O residente da Câmara dos Deputados responde a denúncias na Corte – ainda em análise de recursos – por corrupção passiva e organização criminosa.

“Pelo princípio da moralidade, eu entendo que os partícipes da vida pública brasileira devem ter ficha limpa. Sou muito exigente com relação aos requisitos que um homem público deve cumprir para a assunção de cargos de relevância, como a substituição do presidente. Eu acho que, realmente, uma pessoa denunciada assumir a Presidência da República, seja ela qual for, é algo que até no plano internacional não é o melhor quadro para o Brasil”, declarou.

A Constituição Federal prevê o presidente da Câmara na linha sucessória à presidência em caso de impedimento do presidente e vice-presidente ou vacância dos respectivos cargos.

Ainda durante a entrevista, o presidente do Supremo voltou a esclarecer que o STF não impediu a atuação de Bolsonaro, portanto do governo federal, no enfrentamento à pandemia.

“O que o STF disse foi o seguinte: todas as Unidades da Federação têm responsabilidade em relação à pandemia. É uma gestão compartilhada, mas tem um aspecto maior, porque a Constituição atribui à União uma competência de coordenação nos casos de calamidade pública. O STF nunca eximiu o governo federal, absolutamente. Ninguém exonerou ninguém de responsabilidade”.