‘O Brasil é o exemplo do que não fazer’, diz pesquisadora da Fiocruz

A situação dos hospitais e do sistema de saúde continua grave no país, com grande número de mortes causadas pela COVID-19(foto: Miguel Schincariol/AFP)

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou, na tarde desta quarta-feira (14/04), os dados atualizados do Boletim Extraordinário do Observatório COVID-19, que mostram a intensa circulação do vírus em todo o território nacional. Por esse motivo, grande parte dos estados brasileiros está na zona vermelha – a mais crítica.

Na última semana, o país apresentou alta na taxa de transmissão da doença, com elevação no número de mortes (média de 3.020 por dia) e aumento de novos casos (70.200 diariamente). Além disso, a análise apontou que a situação dos hospitais e do sistema de saúde continua grave.

Segundo os pesquisadores do Observatório, o quadro epidemiológico atual pode, sim, apresentar uma desaceleração da pandemia, porém, com números maiores de casos graves e mortes. 

A pesquisadora da Fiocruz Margareth Portela disse que “parece que está tendo uma desaceleração, mas em um patamar muito alto. É como se tivesse uma melhora em nível crítico. A circulação continua muito ativa. É uma situação preocupante”.

Margareth comentou que o país ainda se encontra no pior cenário da pandemia. “O sistema de saúde e dos hospitais também preocupa, assim como o aumento de casos e mortes”.

O estado do Mato Grosso do Sul lidera o ranking de ocupação dos leitos de UTI para COVID-19 no Brasil: 100%. 

Em seguida, aparecem na zona vermelha: Mato Grosso (98%), Distrito Federal (98%), Rio Grande do Norte (98%), Ceará (97%), Pernambuco (97%), Santa Catarina (97%), Goiás (96%), Rondônia (96%), Espírito Santo (95%), Paraná (95%), Sergipe (94%), Piauí (94%), Acre (92%), Minas Gerais (91%), Rio de Janeiro (90%), Tocantins (90%), Rio Grande do Sul (88%), Alagoas (88%), São Paulo (86%), Amapá (84%), Bahia (84%) e Pará (82%). 
Na zona amarela estão: Maranhão (78%), Amazonas (73%) e Paraíba (70%). Já na zona verde está apenas Roraima (44%). 

 Vale ressaltar que o estado com mais resultados positivos quanto à ocupação de leitos de UTI foi o Maranhão, que saiu da zona de alerta crítico para a intermediária. Outros lugares, como Pará (de 87% para 82%), Amapá (de 91% para 84%), Tocantins (de 95% para 90%), Paraíba (de 77% para 70%) e São Paulo (de 91% para 86%) também se destacaram nesse sentido.
Os pesquisadores ressaltam que asmedidasrestritivas das últimas semanas têm começado a mostrar efeitos positivos, mas que não é tempo de flexibilização e afrouxamento dos cuidados.

“A flexibilização de medidas restritivas pode ter como consequência a aceleração do ritmo de transmissão e, portanto, de casos graves de COVID-19 nas próximas semanas”, alertam.

Fonte: Estado de Minas