Médicos suspeitos de furar fila na vacinação são demitidos em Manaus.

Indios aldeados sen vacinado na aldeia e Umariçu1, em Tabatinga (MA). Sérgio Lima/Poder360 19.01.2021

A Prefeitura de Manaus exonerou na 6ª feira (12.fev.2021) 7  dos 10 médicos citados em investigação do Ministério Público do Amazonas sob suspeita de ter furado a fila na imunização contra covid na capital do Estado. Entre eles estão as gêmeas Isabelle e Gabrielle Kirk Maddy Lins. Elas receberam a 1ª dose da vacina em 19 de janeiro, mesmo dia em que uma delas foi contratada. A outra foi efetivada no cargo um dia antes.

Todos os médicos tornaram-se alvo de investigação porque estavam entre os primeiros vacinados e tinham sido contratados poucos dias antes pelo gabinete da Prefeitura. Na época, o Ministério Público afirmou que a contratação deles foi para o cargo de gerente de projetos, o que levantou suspeita de falsidade ideológica.

Os promotores pediram a prisão do prefeito e da secretária de saúde por causa das irregularidades, e a exoneração dos citados. O pedido está sendo analisado pela Justiça.

Sobre os 10 médicos, o Ministério Público afirmou que eles foram contratados “falsamente como gerente de projetos” mas trabalhavam em unidades de saúde; a nomeação para o cargo de “gerente de projetos” foi do prefeito David Almeida (Avante); o grupo era formado por pessoas com “ligações políticas e econômico-financeiras de apoio político e eleitoral ao atual prefeito“; as nomeações foram realizadas em 18 e 19 de janeiro, quando as primeiras doses foram aplicadas em Manaus e no interior do Amazonas; alguns dos médicos tinham realizado o registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) de 10 a 35 dias antes da contratação; o cargo de “gerente de projetos” tem salário de R$ 9.000 e a remuneração de médicos temporários da prefeitura é de R$ 6.900.

As  médicas Isabelle e Gabrielle receberam a 2ª dose da vacina na 4ª feira (10.fev). Segundo o MPF (Ministério Público Federal), a princípio, não existe ilegalidade de os profissionais terem recebido a 2ª dose pois eles atuam no atendimento a pacientes com covid.

Em nota, as médicas afirmaram que a exoneração do cargo foi feita a pedido delas.

A situação infelizmente ficou insustentável a partir do momento em que se passou a questionar a forma escolhida pela prefeitura para a contratação dos mesmos, gerando um enorme mal-estar e comprometendo o ambiente de trabalho“, diz um trecho da nota.

Sobre a 2ª dose, elas afirmaram que são médicas atuantes na linha de frente do combate à pandemia e que foram notificadas pelo Portal da Prefeitura para receber a dose.

A prefeitura de Manaus afirmou que “as exonerações se deram a pedido dos próprios profissionais“.

Poder 360