Médico do Paraná é espancado após defender lockdown

Médico atua no sistema público de saúde do município de Toledo, no Paraná – (crédito: Reprodução/Instagram)

O infectologista José Eduardo Mainart Panini divulgou, nesta segunda-feira (1º/3), ter sido vítima de agressão por defender o lockdown do estado do Paraná. Por uma rede social, o médico contou ter levado chutes e socos após defender a medida de isolamento.

Segundo relato de José Panini, a agressão ocorreu na última sexta-feira (26/2), após ele alertar sobre os riscos da covid-19 se não houver isolamento. Dois conhecidos o teriam agredido. Um o segurou e o outro deu os golpes.

“Ao alertar os riscos a pessoas conhecidas, a resposta que me foi dada foram chutes e socos, enquanto um me segurava o outro me agredia. Enfim, pessoas assim que ajudaram a situação chegar onde está”, escreveu o médico em sua conta do Instagram. Junto ao texto, o especialista publicou uma foto em que é possível ver os ferimentos.

Também na postagem, José Panini reforçou a necessidade de isolamento para controle do novo coronavírus. “Baseado nos números não há mais nada a fazer, senão as coisas só piorarão”, disse. O infectologista, que atua no sistema público de saúde de Toledo (PR), ainda afirmou que não vai desanimar e desejou força aos trabalhadores da saúde.

Repúdio ao ato

Em nota, a prefeitura de Toledo repudiou as ações contra o médico, que é servidor público do município. “Entendemos que toda a agressão é injustificável e inaceitável”, diz trecho do texto. O comunicado também aponta que a agressão ocorreu fora do ambiente e horário de trabalho do médico. Mas que o município se coloca à disposição do infectologista “para todo o suporte que for necessário”.

Centro Acadêmico de Medicina de Toledo, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) também publicou uma nota de repúdio às agressões. “Estamos extremamente indignados com a situação, visto que o trabalho do Dr. José Eduardo e dos demais médicos é de orientar a melhor forma para enfrentarmos a pandemia, baseados em evidências científicas e boletins epidemiológicos”. O grupo também disse que o infectologista é um exemplo aos alunos da UFPR.

Correio Braziliense