Lira cobra nova atitude do governo perante pandemia: “Sinal amarelo”

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), fez um pronunciamento, durante a sessão desta quarta-feira (24/3), no qual anunciou um esforço concentrado na Casa Legislativa, para votar apenas projetos que referem-se ao combate à pandemia de Covid-19. Para tanto, será suspenso o andamento de qualquer outra matéria, incluindo privatizações e reformas, como a tributária e a administrativa.

Lira endureceu a fala em relação à política externa brasileira, conduzida pelo ministro Ernesto Araújo, e apontou que não serão tolerados erros em relação a países estratégicos no fornecimento de vacinas e insumos médicos.

“Pandemia é vacinar, sim, acima de tudo. Mas, para vacinar, temos de ter boas relações diplomáticas, sobretudo com a China, nosso maior parceiro comercial e um dos maiores fabricantes de insumos e imunizantes do planeta. Para vacinar, temos de ter uma percepção correta de nossos parceiros americanos e nossos esforços na área do meio ambiente precisam ser reconhecidos, assim como nossa interlocução”, disse Lira.

“Então, essa mudança de atitude em relação à pandemia, quero crer, é a semente de algo muito maior, muito mais necessário e, diria, urgente é inadiável: será preciso evoluir, dar um salto para a frente, libertamos as amarras que nos prendem a condicionamentos que não funcionam mais, que nos escravizam a condicionamentos que já se esgotaram”, destacou.

“Sinal amarelo”

Lira apontou que a Câmara fará seu papel de aprovar leis para minimizar a crise na saúde, mas que não ficará alienada ao comportamento dos demais representantes do país. Ele chegou a falar de “sinal amarelo” para pessoas do governo que comentarem erros “primários e desnecessários”.

“Como presidente da Câmara dos Deputados, quero deixar claro que não ficaremos alienados aqui, votando matérias teóricas, como se o mundo real fosse apenas algo que existisse no noticiário. Estou apertando hoje um sinal amarelo para quem quiser enxergar: não vamos continuar aqui votando e seguindo um protocolo legislativo com o compromisso de não errar com o país, se, fora daqui, erros primários, erros desnecessários, erros inúteis, erros que que são muito menores do que os acertos cometidos continuarem a serem praticados.”

“E eu aqui não estou fulanizando. Dirijo-me a todos que conduzem os órgãos diretamente envolvidos no combate à pandemia. O Executivo federal, os executivos estaduais e os milhares de executivos municipais também. Como sabemos, o sistema de saúde é tripartite. Mas, também sabemos, a política é cruel e a busca por culpados – sobretudo em momentos de desolação coletiva – é um terreno fértil para a produção de linchamentos. Por isso mesmo, todos têm de estar mais alertas do que nunca, pois a dramaticidade do momento exige”, observou o presidente da Casa.

Metrópoles