Avião dá meia volta após passageiro se recusar a usar máscara em Salvador

Um tumulto em um voo da Gol Transportes Aéreos forçou o comandante a dar meia volta na manhã deste sábado (6). A aeronave, identificada como GLO1865, decolou de Salvador (BA) às 6h10 (horário de Brasília) com destino ao Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek. Logo após a decolagem, passageiros ficaram irritados com a postura de um homem, ainda não identificado, que se recusava a usar máscara.

Após discussões e troca de ofensas entre passageiros, os comissários de bordo foram até o homem. Ele, por sua vez, insistia em permanecer sem máscara. A estudante de medicina Victoria Silva Pinto, de 23 anos, estava no avião e conta que o comandante chegou a frisar nos alto-falantes a importância do uso do item, uma vez que a aeronave levava mais de 160 passageiros.

“Deu muita confusão. Depois que o capitão insistiu pelo uso da máscara e não obteve sucesso, as comissárias avisaram que teríamos que voltar para Salvador para abastecer e para que o homem fosse conduzido para fora. Nessa hora, muitos já estavam xingando e se levantando”, lembra a jovem.

Segundo passageiros que estavam mais próximo ao homem, ele teria justificado que não usaria a máscara porque possuía um vídeo onde o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) afirma que o uso do item era dispensável. Ele teria afirmado, ainda, que por possuir rinite, não iria utilizá-la. A motivação, no entanto, ainda não foi confirmada.

Quando o avião pousou em Salvador, a Polícia Federal foi chamada para conduzir o passageiro para fora. Só então, conta Victoria, ele passou a utilizar máscara. “Ele finalmente colocou a máscara quando a polícia entrou. Mas mesmo assim, demorou a se levantar. Depois, ele ainda deu dedo para um outro passageiro e agrediu aquele que o denunciou. A polícia ainda voltou para pegar o testemunho do homem que foi agredido”, afirma.

Nos vídeos, gravados pela jovem, é possível ver a discussão entre os passageiros e o homem sendo escoltado pela PF. Em determinado momento, enquanto caminhava pelo corredor, ele leva um empurrão de outro homem e responde com um gesto ofensivo.

Victoria afirma, ainda, que com a demora do voo, o ambiente ficou ainda mais inseguro do ponto de vista de contaminação, uma vez que os passageiros retiraram as máscaras para beber água e conversar entre si. “O ruim é que depois, grande parte das pessoas ficou conversando, bebendo água sem máscara. E o tempo recomendado para utilização de máscaras de pano, que é de duas horas, já havia sido ultrapassado. Ou seja, o risco realmente aumentou”, afirma.

Correio Braziliense