Assembleia lança Mostra de Arte Popular com obras em madeira

Foto: Eduardo Maia/ALRN

“Além do Imaginário: a Arte Popular antes e depois de Xico Santeiro”. Esse é o tema da Mostra de Arte Popular lançada na tarde desta segunda-feira (10), na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. A exposição tem 82 obras em madeira de do próprio Xico Santeiro e artistas que vieram antes e depois do principal homenageado da mostra.

Fazendo parte do calendário cultural da Assembleia, a Mostra de Arte Popular é o segundo evento do ano nesse gênero, promovido pelo Núcleo Historiográfico da Cultura Potiguar Presidente Café Filho, ligado ao Memorial do Legislativo Potiguar. Anteriormente, a exposição trouxe ao público a obra de Auta de Souza. Agora, o foco é a versatilidade e a revolução cultural a partir de Xico Santeiro. 

Xico Santeiro foi o pseudônimo dado a Joaquim Manoel de Oliveira, nascido em 1898 e que produzia suas artes sacras, nos anos 40, sem uma assinatura. Era um artista “imaginário”, como se chamavam escultores que não assinavam suas obras.

A situação mudou somente após a chegada de Joaquim Manoel a Natal, quando conheceu grupos de intelectuais, tornou-se um artista mais reconhecido e acatou um conselho de um admirador de seu trabalho.

“Foi o pai do diretor Augusto Viveiros, Paulo Viveiros, que sugeriu que o artista assinasse suas obras como Chico. A escrita errada, com X, deixou o nome ainda mais marcante e fez com que seu trabalho ficasse conhecido por todos”, explicou o curador da mostra e responsável pelo Núcleo Cultural Presidente Café Filho, Alexandre Gurgel.

Durante a Mesa Redonda realizada no lançamento da Mostra de Arte, Alexandre Gurgel discutiu com os professores e pesquisadores Antônio Marques e Everardo Ramos sobre a história do artista. O debate, que contou com a participação de todos os filhos do artista, enalteceu a trajetória de Xico Santeiro e a forma com que ele influenciou os artistas que vieram posteriormente. Além da arte Sacra, Xico Santeiro também produziu outras peças devido a pedidos de amigos que apreciavam sua obra.

“Quando ele chega a Natal, na segunda metade da década de 40, conheceu intelectuais e outras pessoas que o instigaram a produzir o que é nosso: retirantes, carros de boi, sanfoneiros, pescadores… E isso está exposto aqui, nessas 22 obras do próprio Xico”, explicou Alexandre Gurgel, ressaltando ainda que, ao todo, a mostra reúne obras de 31 artistas.

A mostra continuará até o dia 21 de junho, no Salão Nobre da Assembleia, das 8h às 14h, aberta ao público e também disponível para excursões de escolas do Rio Grande do Norte. “o grande objetivo desse calendário e a grande ideia é levar todo esse legado para os estudantes e as novas gerações. Todas as mostras têm visitações e convidamos as escolas que quiserem levar seus alunos para conhecerem as obras, que retratam a história do estado”, explicou Alexandre Gurgel, relembrando ainda que mais de 300 estudantes prestigiaram a exposição com a obra de Auta de Souza.

Fonte: ALRN

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