Volume de serviços prestados no Brasil volta a crescer e reverte parte das perdas de abril

Resultado positivo de 0,9% do setor em maio devolve parte do tombo de 1,6% registrado no mês anterior, afirma IBGE

Rovena Rosa/Agência Brasil

Depois de desabar 1,6% em abril, o volume de serviços prestados no Brasil avançou 0,9% em maio, de acordo com dados apresentados nesta quarta-feira (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com o resultado positivo, o setor passa a acumular alta de 4,8% nos primeiros cinco meses deste ano. Já nos últimos 12 meses, a taxa caiu de 6,8% para 6,4%, o menor resultado para uma base anual desde agosto de 2021 (+5,1%).

O crescimento em maio faz o setor responsável por cerca de 70% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional operar 11,5% acima do patamar pré-pandemia e 2% abaixo do ponto mais alto da série histórica da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), alcançado em dezembro do ano passado.

Em maio, quatro das cinco atividades analisadas avançaram. O maior impacto sobre o índice geral veio do setor de transportes, que cresceu 2,2%, recuperando parte da perda de 4,3% registrada em abril.

Dentro do segmento, o destaque fica por conta do transporte de cargas, que avançou 3,7% e atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 2011. Com o resultado, a categoria opera 41,3% acima do nível registrado em fevereiro de 2020. O transporte de passageiros também se expandiu em maio (2,8%), após ter recuado 4,5% no mês anterior.

“Sob a ótica do modal, os principais impactos para o resultado positivo vieram do [transporte] rodoviário de cargas, do aéreo de passageiros e do aquaviário de cargas. Há dois segmentos que impulsionaram essa última atividade: o de navegação de apoio marítimo e portuário, relacionado a serviços de apoio a plataforma de petróleo, e o transporte marítimo de cabotagem, que é ligado ao transporte de cargas dentro do país”, afirma Rodrigo Lobo, gerente responsável pela PMS.

Lobo avalia que o bom desempenho das empresas de transporte de cargas é ligado, entre outros fatores, ao momento atual do setor agrícola. “Os recordes da safra de grãos acabam influenciando os transportes, especialmente o rodoviário de cargas. Esse impacto não é de agora”, afirma ele.

“A partir de maio de 2020, ainda no início da pandemia, houve um crescimento importante desse setor, muito ligado ao aumento da produção agrícola e também ao boom do comércio eletrônico, com a migração em larga escala das vendas em lojas físicas para as plataformas online”, recorda o pesquisador.