Servidores denunciam “gambiarras” e mães internadas em poltronas por falta de leito em maternidade de Natal

Desde que o Hospital Municipal Pediátrico Nivaldo Júnior, em Natal (RN), foi fechado no dia 12 deste mês pela Prefeitura de Natal e os pacientes transferidos para a Maternidade Araken Irerê Pinto, os funcionários da saúde estão tendo que refazer rotinas de trabalho dentro da unidade num cenário de superlotação e improviso.

Nós já estávamos nos acostumando a ser uma maternidade, já tinha inclusive o programa de aleitamento materno, estavam fazendo vários cursos voltados para a pediatria, tinha a intenção de transformar a UTI clínica para adultos, homem e mulher, numa UTI materna e pediátrica neonatal, mas não aconteceu porque acabou chegando outro serviço, inclusive, com menos leitos do que tinha no Hospital Nivaldo Júnior, que tinha 35 leitos, aqui tem no máximo 27. A geladeira onde guardam o leito materno, para as mães que não têm condições de amamentar o filho, tá no corredor porque não tem onde botar”, relata Érica Galvão, dirigente do Sindsaúde/ RN.

Desde que recebeu os novos pacientes, a Maternidade Araken Irerê Pinto já teve a quantidade de leitos ampliados. Inicialmente, das 35 vagas do Hospital Municipal Pediátrico Nivaldo Júnior, apenas 11 haviam sido mantidas e 24 fechadas.

A quantidade de crianças que tem na regulação é tão grande que já abriram mais 11, agora são 22. A diretora da rede de urgência e emergência quer que abra mais cinco, num total de 27, o que é insuportável. Já tem mães parindo e ficando em poltronas porque não tem onde botar. A Leide Morais está lotada e aqui, o 2º andar que restou para as puérperas e recém-nascidos também já está lotado. Não tem berço de estabilização para criança que nasce com problema de saúde, ficam na fila esperando UTI porque aqui também não tem UTI pediátrica, suporte avançado de vida para criança…tá um caos. Teve um vazamento de gás há três dias, três pacientes clínicos adultos, que são resquício do antigo Hospital Municipal…antigo não, há dois anos… foram transferidos de forma urgente para o Hospital dos Pescadores porque ficaram sem oxigênio. Todo dia é uma novidade aqui. Inclusive, estão transformando o que foi o necrotério covid por três anos em refeitório. A única mudança que estão fazendo é colocar um toldo pra gente não ficar na chuva nem no sol”, ironiza Érica.

Outro problema enfrentado pela Maternidade Araken é que com o único aparelho fixo de raio-X quebrado há 90 dias, está sendo utilizado apenas o equipamento móvel, de capacidade inferior e maior risco de radiação.

Você não consegue firmar uma cultura organizacional. No raio-X estamos com o equipamento móvel, que tem capacidade inferior ao fixo. Ele serve para raio-X de leito. Há inúmeras questões de radioproteção, é proibido uso em sala por RDC [Resolução da Diretoria Colegiada]-611 da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], exceto, em caso temporário, mas já está assim há 90 dias. A dose de espalhamento de radiação no aparelho móvel é maior. Também tem um fio cortado e hoje a distância é menor e precisamos ficar mais perto do aparelho”, expõe Gilmar Virgínio, técnico em radiologia na maternidade.

Fonte: Agência Saiba Mais