Natal: Venda de carnes em feiras descumpre medidas sanitárias

19/11/2022 – NATAL – VENDA DE CARNE NA FEIRA DO ALECRIM – FOTO: ALEX RÉGIS/ TRIBUNA DO NORTE

Sem refrigeração e utensílios de higiene, a venda de carnes e aves na feira livre do Alecrim, em Natal, é feita sem fiscalização sanitária e em desconformidade com o Decreto Municipal nº 7676/05, conforme constatou a reportagem da Tribuna do Norte no sábado (19).

No local, agentes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) faziam a verificação dos espaços entre as bancas, mas não havia fiscalização por parte da Vigilância Sanitária (Covisa).

As carnes bovinas, suínas e aves ficam expostas a insetos nas barracas e são manipuladas sem equipamentos de higiene, como luvas de proteção. Em algumas bancas, o dinheiro e a carne são manipulados com a mesma mão ao mesmo tempo.

A aposentada Maria Lúcia, que frequenta a feira livre todos os sábados, diz que se preocupa com a qualidade e higiene das carnes. “Aqui eu compro mais frutas, legumes e verduras. As carnes a gente tem que ter cuidado por causa de contaminação, mas eu gosto muito de vir à feira, pesquisar, conversar com o povo, é muito bom. Moro em Mãe Luíza, mas gosto de vir aqui toda semana no Alecrim porque se você for no supermercado, mercadinho, os preços estão lá no alto, aqui a gente aproveita os preços melhores”, comenta.

Um estudo, publicado pela revista de nutrição e vigilância em saúde Nutrivisa, no ano de 2007, já mostrava preocupação em relação às condições de infraestrutura e higiene. A pesquisa avaliou itens como equipamentos de refrigeração, condições dos equipamentos, conservação dos utensílios, higiene dos utensílios, lixeiras, lavatórios para as mãos, contato direto com o dinheiro, hábitos como tossir, fumar ou espirrar, desossa da carne, utilização de uniforme, proteção para os cabelos, entre outros.

“Observou-se que em relação ao quesito infraestrutura, os itens equipamentos de refrigeração, temperatura de refrigeração, higiene dos utensílios, lixeiras e lavatórios para as mãos encontram-se não conforme em todas as barracas avaliadas, totalizando cinco dos sete itens analisados nas feiras livres. Como não havia equipamento de refrigeração em nenhum dos estabelecimentos participantes da pesquisa, apenas a balança foi avaliada no quesito equipamentos”, diz trecho da pesquisa “Condições higiênico-sanitárias da carne bovina vendida em feiras livres de Natal, Rio Grande do Norte”.

A manipulação do dinheiro também foi outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores. “Em todas as barracas avaliadas, possuindo um ou mais manipuladores, ambos entravam em contato com o dinheiro e manipulava a carne ao mesmo tempo”, relata o documento. “Foi observado que parte dos manipuladores tinham o hábito de manusear o dinheiro durante a manipulação de produtos cárneos. Tal ocorrência propicia de mais a contaminação dos alimentos”, complementa.

Os resultados encontrados pelos pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade Potiguar (UnP) permanecem atuais na feira do Alecrim, onde carnes bovinas e suínas são vendidas sem refrigeração adequada, penduradas em ganchos sob temperatura ambiente, expostas a insetos e ao contato direto com as mãos de clientes e feirantes.

Com uma grande quantidade de microrganismos, a carne é um dos alimentos mais suscetíveis a contaminação, devido suas características nutricionais. As práticas encontradas nas feiras desrespeitam a legislação municipal, que estabelece que a venda de produtos perecíveis de origem animal em feiras livres deve observar critérios específicos, como a obrigatoriedade de equipamento de refrigeração para os bovinos, suínos, caprinos, ovinos e aves. O decreto também estabelece que os manipuladores ficam proibidos de “fumar, manipular dinheiro ou praticar outros atos que possam contaminar os citados alimentos, durante a sua manipulação”.

O documento também determina que o cumprimento da lei deve ser fiscalizado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o que não foi observado no sábado, na Feira do Alecrim. Natal tem outras 20 feiras livres espalhadas por bairros das quatro regiões e que acontecem de domingo a domingo.

Tribuna do Norte

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