Moradores da Casa do Estudante de Mossoró voltam a pedir alimentos

A Casa do Estudante de Mossoró (CEM) é um importante espaço que acolhe estudantes de universidades, cursos profissionalizantes e escolas de níveis médio e fundamental, localizada no bairro Nova Betânia, em Mossoró. Atualmente, 40 estudantes de várias cidades do Rio Grande do Norte e de estados como Minas Gerais e do Ceará estão morando no local, compartilhando o único sonho que é concluir os estudos e se formar.

No entanto, as dificuldades da Casa são um impedimento para a conclusão desse sonho. Devido a uma dívida trabalhista da CEM, o local não pode receber recursos estaduais, e sobrevive apenas de doações. No momento, os moradores da Casa têm apenas feijão e arroz para comer e solicitam a ajuda da sociedade para que sejam feitas doações de alimentos, especialmente das misturas.

“A casa possui 40 alunos da Ufersa, Uern, Ensino Médio e Fundamental. Temos alunos do Ceará, de Minas Gerais, de todo o Rio Grande do Norte. Muitos vieram para Mossoró para buscar um sonho que é se formar. Só que a casa está precisando sempre de ajuda. Aqui no estoque tem praticamente só arroz, feijão e sal. A cozinheira, que trabalha na casa há 17 anos, está cozinhando sempre a mesma coisa. Não temos nem ovo e nem mortadela para ser a mistura”, disse Lucivio dos Santos, vice-diretor da CEM.

O vice-diretor informou ainda que a Casa do Estudante tem R$ 200 mil para receber do Governo do Estado, mas devido às questões burocráticas e ao fato de o CNPJ do local estar com débitos trabalhistas, esse valor não pode ser repassado para a Casa. “A CEM possui dívidas trabalhistas, que chegam a R$ 90 mil, e restrições documentais que negativaram o CNPJ do local. No momento, nós não podemos receber recursos do poder público, só da sociedade e instituições privadas. Mas, nenhuma doação chega a nós”, esclarece.

A Casa do Estudante de Mossoró funciona em um prédio da Igreja Católica e tem o Estado como o responsável pelo pagamento da água e da energia elétrica, passa por muitas dificuldades. Atualmente, os estudantes que moram na CEM pagam R$ 50 por mês para arcar com os custos da cozinheira.  Já as despesas de água e energia são isentadas pelo Governo do Estado.

Lucivio Santos lembra que os moradores da casa são de famílias humildes, que não têm condições de custear com a vinda dos estudantes para Mossoró. Alguns desses alunos não têm condições de arcar com os custos da locomoção até as universidades. “Nós temos estudantes da Ufersa e da Uern que vão e voltam a pé. Eles enfrentam isso todos os dias porque têm o sonho de se formar e ter uma vida melhor”, disse.

Fonte: Jornal de Fato