Adel implementa soluções de convivência com o
semiárido no Rio Grande do Norte

A preocupação com o meio ambiente, aliada ao aprendizado, tem sido um dos caminhos para
construir uma consciência ambiental e desenvolver habilidades de quem convive com a Caatinga.

Em busca da construção de um futuro sustentável para as famílias do sertão
nordestino, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel), tem desenvolvido ações
de incentivo ao empreendedorismo e protagonismo jovem, capacitações, formações e o
fortalecimento da produção agrícola local. Por entender os desafios e as potencialidades da
Caatinga e das pessoas do campo, a organização sem fins lucrativos tem auxiliado no
desenvolvimento econômico, educacional e ambiental.

Só no Rio Grande do Norte (RN), foram implementadas 344 tecnologias sociais em 16
municípios do estado, dentre equipamentos para segurança hídrica, desenvolvimento
produtivo e eficiência energética, além de oficinas e capacitações. As ações auxiliaram na
convivência com o semiárido de diferentes maneiras. Para a segurança hídrica, 145
tecnologias de garantia de acesso à água foram entregues. Cisternas de placas de 16 mil
litros, poços profundos, reservatórios elevados e chafarizes comunitários são alguns dos
equipamentos. Outras 139 ações focaram no desenvolvimento produtivo como a
implantação de aviários, canteiros econômicos, meliponários, sistemas de irrigação, viveiro
de mudas, dentre outros. Para a eficiência energética foram instaladas 47 tecnologias
sustentáveis como fogões ecoeficientes, microusina solar, biodigestor e sistema de
bombeamento solar.

O empreendedorismo é uma das potencialidades de quem vive no campo. Pequenos
negócios passaram a crescer quando o (a) empreendedor (a) teve acesso a um dos cursos de
capacitação sobre empreender. Os (as) participantes têm aulas sobre gestão de negócios,
educação financeira e até criam um projeto para o seu empreendimento. É o caso da Marise
Eduarda, 24 anos, do assentamento Jatuarana, no município de Bodó (RN). Antes de fazer o
curso ela já tinha uma loja online, a Marise Presentes, na qual vende perfumaria, moda
íntima e acessórios, e com o curso descobriu o potencial do seu negócio. “Minha ideia é
ampliar meu empreendimento, acrescentar novos produtos e para isso já estou abrindo
minha microempresa”, afirma a empreendedora.

Outros setores que têm sido atendidos por ações da Adel são a saúde e o
desenvolvimento sustentável. Por meio de parcerias com a iniciativa privada, a organização
tem instalado tecnologias socioambientais e capacitado os moradores para auxiliar no
convívio das famílias com o semiárido. Os canteiros econômicos são um exemplo disso.

A partir do quintal do morador, os (as) agentes ambientais o transformam em
quintais produtivos. São canteiros onde se produzem alimentos que podem ser usados para
o consumo da família e até para o comércio. Com uma tecnologia que economiza quatro
vezes o uso de água para irrigação, o quintal muda a realidade econômica e de segurança
hídrica das pessoas. No assentamento de Jatuarana, foram implementados 12 canteiros.
Com a cooperação de 9 mulheres, a comunidade foi beneficiada com capacitação para o
desenvolvimento sustentável e uma convivência harmoniosa com o semiárido.

A construção de fogões ecoeficientes é uma das alternativas de energia sustentável
para melhorar as vidas das famílias e sua relação com o semiárido. Nos municípios Lagoa
Nova e Bodó, foram instalados 30 ecofogões que produzem o máximo de calor utilizando a
menor quantidade de biomassa vegetal. A tecnologia contribui com a diminuição do
desmatamento, uma das principais ameaças ao bioma Caatinga, além de reduzir a emissão
de gases poluentes no ecossistema.

A meliponicultura é outra atividade que, além de movimentar a economia local,
ajuda a preservar as abelhas e o meio ambiente com o serviço de polinização prestado às
plantas nativas. Na comunidade Cabeço, do município de Jandaíra, oito famílias da
Associação dos Jovens Agroecologistas Amigos do Cabeço (JOCA) foram beneficiadas com
unidades de criação de abelha nativa, ou seja, meliponários. Também foram adquiridos
equipamentos de processamento e envase do mel e realizadas oficinas com 26 jovens sobre
boas práticas de processamento e técnicas de comunicação e marketing aplicadas à
agricultura familiar. Além disso, cerca de 192 colmeias foram instaladas.

Iniciativas como essas auxiliam no desenvolvimento sustentável e desenvolvem as
expertises e habilidades potenciais de quem vive e convive com o semiárido. Para Adriano
Batista, diretor executivo da Adel, é possível investir nas potencialidades do semiárido em
harmonia com as pessoas do campo. “A ideia de uma convivência sustentável com o
semiárido é importante pelo fato de reconhecer que esse território é caracterizado pela
escassez, incertezas e fragilidades. Somente agindo a partir dessa compreensão, é possível
conviver respeitando os limites e as capacidades que ele oferece”.
Sobre a Adel

A Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) é uma organização sem fins
lucrativos, que nasceu no Ceará, mas que atua em todo o Brasil. Ela tem como missão
promover o desenvolvimento local de comunidades rurais no semiárido brasileiro por meio
do empreendedorismo e do protagonismo social de jovens e agricultores rurais.

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