UPAs enfrentam superlotação em Natal e Parnamirim restringe atendimento a pacientes com ‘máxima urgência’

Do g1 RN

Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) registraram superlotações na manhã desta quarta-feira (22) em Natal e Parnamirim, na região metropolitana de Natal.

Alguns dos pacientes afirmam que esperaram mais de três horas para passar por uma triagem. A maioria deles relata sintomas gripais.

Em Parnamirim, a prefeitura fechou uma unidade para atender apenas casos graves. O município reconheceu que a UPA de Nova Esperança passou do limite de sua capacidade, que é de 28 leitos.

A unidade estava com 37 pacientes internados em estado grave durante a manhã – três deles com suspeita de covid-19 e um com teste positivo.

Diante da situação, o município informou que somente os pacientes de máxima urgência serão atendidos na UPA, “ou seja, aqueles que, durante a triagem, receberam as cores laranja e vermelha”. Ainda segundo a prefeitura, as urgências em pediatria estão normalizadas.

Na UPA de Cidade da Esperança, na Zona Oeste de Natal, várias pessoas esperavam em filas, pela manhã, para pode receber atendimento.

“Está uma agitação grande lá dentro, porque teve gente que chegou aqui às 6h e só foi atendido depois das 10h, não passou nem pela triagem, ou foi embora. Tive sorte porque peguei a ficha azul, me jogaram lá dentro e foi resolvido, mas cheguei às 8h. Estou com sintoma gripal e tem muita gente lá dentro”, afirmou Aguinaldo Valdivino, que saiu do atendimento no início da tarde.

“Está superlotado. Estou com uma gripe imensa, já há três dias com dor de cabeça, dor no corpo, e a empresa mandou eu me cuidar pra evitar o risco de contaminar os outros funcionários”, disse o moto-entregador Lenivaldo Francisco de Freitas.

Na mesma UPA, Eliane Domingos, que estava procurando atendimento na ortopedia, foi recusada e encaminhada para o hospital municipal.

Já na UPA Potengi, na Zona Norte de Natal, um aviso na porta anunciava a paralisação de trabalhadores terceirizados, como maqueiros, recepcionistas e os responsáveis pela higienização da unidade, por falta de pagamento.

A Guarda Municipal foi acionada para evitar um tumulto, por causa da pressão sobre servidores. Dois médicos trabalhavam no atendimento dos pacientes por volta de meio-dia.

Jesuá Henrique aguardava atendimento há mais de duas horas e relatou sintomas gripais, como tosse, dor de cabeça, dor nos olhos e no corpo. “Cheguei aqui às 10h39, estou aqui há mais de duas horas e ainda não fui atendido. Ontem vim aqui e falaram que não tinham condição de atender a gente pela quantidade de pessoas. Está quente, não tem ventilação, não tem nada. Uma moça desmaiou aqui hoje de manhã”, contou.