Pandemia: 24,5 milhões de brasileiros ganham até 1/4 do salário mínimo

Cerca de 30% da população brasileira tem renda de até ¼ do salário mínimo. Em termos absolutos, do 2020 a 2021, o número de pessoas com renda considerada muito baixa passou de 20.230.528 para 24.535.659, de acordo com dados são da 4ª edição do boletim Desigualdade nas Metrópoles, que chegou ao resultado com base em informações da pesquisa Pnad Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Eis a íntegra (5,6 MB).

Segundo estudo, o percentual de pessoas vivendo em domicílios com renda per capita do trabalho menor que ¼ do salário mínimo, no conjunto das metrópoles, era de 20,2% no início da série histórica (2012). Já no primeiro trimestre de 2020, quando teve início a crise sanitária, chegava a 24,5%. Um ano depois, no 1º trimestre de 2021, alcançou o patamar de 29,4%.

Os números analisados consideram apenas a renda do trabalho. Ou seja, benefícios sociais como aposentadoria, Bolsa Família e auxílio emergencial não entram no cálculo.

De acordo com a pesquisa, a parcela mais pobre da população foi a que sofreu a maior perda de renda nas regiões metropolitanas. No intervalo de um ano, o rendimento dessa camada caiu em 33,4%.

No primeiro trimestre de 2020, a renda média do trabalho dos 40% mais pobres era estimada em R$ 233,94. No começo de 2021, atingiu a marca de R$ 155,89.

Já os 10% mais ricos passaram a ganhar, em média, 42,3 vezes mais que a população mais pobre, com queda de só 4,8%. A renda média do grupo recuou de R$ 6.921,41 para R$ 6.590,05 no mesmo intervalo.

Para os 50% de renda intermediária, a redução foi de 7,6%.

Figura 1: Variação da média móvel (quatro trimestres) de rendimentos* entre o 1º trimestre de 2020 e o 1º trimestre de 2021 por estratos de renda – Conjunto das Regiões Metropolitanas do Brasil, (%)

COEFICIENTE DE GINI

A pesquisa também mostra o grau de desigualdade da população brasileira através do Coeficiente de Gini.

O Coeficiente de Gini mede o grau de distribuição de rendimentos entre os indivíduos de uma população, variando de zero a um. O valor zero representa a situação de completa igualdade, em que todos teriam a mesma renda; e o valor um representa uma situação de completa desigualdade, em que uma só pessoa deteria toda a renda.

Segundo o estudo, o valor registrado no primeiro trimestre de 2021 – 0,632 – é o terceiro mais alto da série histórica, inferior apenas aos registrados no segundo e terceiro trimestre de 2020, como mostra o gráfico:

Figura 2: Evolução do coeficiente de Gini* – Média do conjunto das Regiões Metropolitanas do Brasil

Segundo a pesquisa, ao considerar os gráficos de uma forma geral, percebe-se que na maior parte das regiões geográficas as regiões metropolitanas apresentaram níveis de desigualdade de renda próximos, indicando convergência regional neste aspecto. A exceção foi o Distrito Federal, que apresentou perfil do coeficiente de Gini bem maior do que o restante das Regiões Metropolitanas do Centro-Oeste.

A maior desigualdade de renda foi identificada na região Nordeste, sendo a região metropolitana de João Pessoa (PB) aquela com o maior Coeficiente de Gini (0,729).

O estudo foi produzido em parceria entre PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Observatório das Metrópoles e RedODSAL (Observatório da Dívida Social na América Latina).

Poder360