Opinião do senador Jean em relação aos últimos ataques

O ministro de Bolsonaro se lançou candidato. Isso é do jogo democrático e vai permitir ao eleitor/a fazer a sua escolha do que deseja para o Rio Grande do Norte diante de um leque maior de opções.

Mas é necessário se fazer alguns reparos ao que disse o ministro neste final de semana. Ele falou muito de omissão e de prejuízos para o estado e responsabilizou a bancada potiguar por isso. Lamento pelo ataque que faz aos representantes do Rio Grande do Norte, mas isso faz parte de um jogo que é típico do chefe dele: criar narrativas para desviar a atenção das pessoas do que realmente importa.

Omissão é ser o responsável pela Secretaria de Desenvolvimento do Governo Rosalba que raspou o fundo previdenciário dos servidores e afundou o estado. Não dá pra simplesmente fingir que não participou desse crime contra o funcionalismo. Omissão é ser ministro e não trabalhar pela implantação do Hub dos correios no Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, uma proposta que o ministro já chegou a defender, mas mais uma vez prefere esquecer. O ministro prefere agora defender a privatização dos Correios, da Eletrobras e da própria Petrobras, que vem rapidamente sendo entregue à iniciativa privada como vimos aqui no estado.

É com essas bandeiras que ele vai pedir voto aos eleitores do nosso estado? É bom lembrar, já que a memória do ministro omite, que este governo que ele integra é responsável também por outras tragédias. Fizeram uma reforma da previdência que penaliza os trabalhadores fazendo com que eles se aposentem mais tarde e que reduziu as pensões das viúvas brasileiras. Defendem uma reforma administrativa que vai tirar a estabilidade dos servidores públicos e permitir que políticos como ele possam indicar milhões de pessoas para funções de governo.

E a reforma trabalhista, Ministro? Aquela do qual o senhor foi relator e que tirou direitos dos trabalhadores brasileiros. A ideia era gerar empregos, lembra? Nada disso aconteceu e o que temos hoje são milhões de brasileiros explorados, sem emprego e sem direitos. Não se omita diante disso!

Temos que falar também dos quase 600 mil mortos pela Covid e do desemprego de milhões de brasileiros provocados pela incompetência desse governo do qual o senhor participa. Omissão, senhor ministro, é permitir o retorno da inflação que tira a comida da boca dos brasileiros e que coloca os preços da gasolina e do botijão de gás nas alturas. São essas as realizações que o senhor deve apresentar, e não promessas e críticas vazias

Não se omita diante disso, senhor ministro! Nós vamos lembrar do que o senhor participou e ainda defende.

Aqui no Rio Grande do Norte estamos trabalhando para devolver dignidade aos potiguares. As folhas de pagamento atrasadas que o senhor deixou para trás estão sendo pagas.

E a agricultura? Por que não fala da penúria em que estaria a agricultura familiar do RN se não fossem as políticas de compras governamentais, crédito rural, agregação de valor, feiras e centrais de comercialização que a governadora Fátima criou para tentar compensar minimamente o ABANDONO TOTAL das políticas de apoio ao setor que mais produz o alimento que todos nós comemos todos os dias? QUEM É OMISSO AQUI?

Estamos votando lá no Congresso a derrubada do veto do seu governo à lei dos despejos e ao auxílio aprovados pelo Congresso aos agricultores familiares. Seria bom que o ministro se pronunciasse a respeito do que pensa sobre isso. Não se omita!

Ministro, vá brigar pelo apoio do seu presidente para ser candidato ao Senado – porque do meu presidente eu já tenho! E tenho orgulho disso! Não sei se pode dizer o mesmo! Mas fica aqui um ultimo conselho antes de vir acusar de OMISSOS os três senadores da república pelo Rio Grande do Norte. Quem está no GOVERNO é o senhor. Quem mais pode fazer com a caneta pelo nosso estado e por todos os potiguares é o senhor e o seu presidente. Mandar tratores em troca de declarações de apoio de prefeitos é muito pouco. Mas agora vou continuar meu trabalho aqui, para produzir e relatar leis para o Brasil. Porque oposição responsável se faz assim: construindo soluções, dialogando com todos os lados, e, sobretudo, sem acusar os outros daquilo que é a sombra de si próprio.