Endividamento recorde compromete quase 60% da renda das famílas e limita crescimento

O endividamento das famílias brasileiras bateu recorde, com o valor total das dívidas chegando a 59,9% da renda média anual, segundo dados mais recentes do Banco Central. O resultado de junho é o maior patamar desde o início da série histórica do BC, em 2005.

Com a inflação em alta e a perspectiva de um aperto maior de juros, analistas alertam que o orçamento comprimido das famílias com dívidas será um limitador adicional ao crescimento da economia nos próximos meses.

Mesmo sem considerar os financiamentos imobiliários — um crédito mais “saudável” por ser de longo prazo e representar um investimento das famílias — o endividamento é recorde: 37%. Até julho do ano passado, este patamar nunca tinha superado 30%.

Pressão no orçamento

Em média, segundo dados do BC, o comprometimento mensal de renda das famílias com o pagamento de juros e prestações — incluindo dívidas mais longas, como financiamento imobiliário, e outras de curto prazo, como cartão de crédito ou parcelamento de compras — chegou a 30,9% em agosto, também em alta.

A inadimplência se mantém estável, em 4,2%, mas analistas temem que o peso da inflação — que chegou a 10,25% na taxa acumulada em 12 meses até setembro — force as famílias a atrasarem as prestações com o orçamento já apertado.

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O GLOBO