Empréstimo para participante de programa social é medida eleitoreira, diz economista

Oferecer empréstimos de até R$ 1 mil para beneficiários de programas sociais é uma medida eleitoreira e que estimulará o endividamento das famílias de baixa renda, afirmou o economista José Luis Oreiro, professor da UnB.

Em evento no Palácio do Planalto, a Caixa lançou hoje (27) uma linha de crédito para autônomos, beneficiários de programas sociais, de políticas públicas de distribuição de renda e assalariados. Participantes do Bolsa Família não podem contratar os empréstimos e as parcelas devidas não podem ser debitadas do valor em conta que tem origem em repasses do governo.

O valor dos empréstimos varia de R$ 300 a R$ 1 mil, com taxas de juros mensais de 3,99% e podem ser parcelados em 24 meses. A Caixa não informou o montante de recursos destinados para a linha de crédito.

“O governo está estimulando o endividamento de pessoas que não têm vínculo formal de emprego, que estão em uma situação precária de renda. Isso é mais uma tentativa de fazer política de assistência social, burlando o teto de gastos. O valor do empréstimo é o mesmo de um benefício social. Mas quem receber terá de devolver com juros”, disse Oreiro.

Segundo Oreiro, ao criar um programa de crédito, por meio da Caixa, o governo busca um atalho para que essa despesa fique fora do orçamento e do teto de gastos.

“Não faz o menor sentido esse empréstimo. Isso não é microcrédito, como prevê a literatura e as experiências existentes. É um gasto de assistência social que não passa pelo orçamento. Quem parcelar o crédito em 12 meses, pagará um acrescimento de 60% em juros. Isso é criminoso e uma medida eleitoreira”, afirmou.

O Antagonista