Desalento abre brecha para candidato ‘desconhecido’ na sucessão de 2018

Josias de Souza

Se a mais recente pesquisa do Datafolha serviu para alguma coisa foi para demonstrar que a eleição presidencial de 2018 tornou-se uma espécie de latifúndio improdutivo à espera de ideias que o ocupem. As duas vagas no segundo turno da sucessão são, a essa altura, terrenos baldios, sem donos. Lula, ainda favorito, está inelegível. Bolsonaro, a direita autoritária que se oferece como contraponto da esquerda presidiária, parou de crescer. Tudo pode acontecer. Inclusive nada.

A Lava Jato revelou o grande amor da oligarquia política e empresarial brasileira pelo desastre. O Datafolha informa que esse amor dos oligarcas pela catástrofe foi plenamente correspondido. Com a política indo a pique, surge uma demanda por novidade. Isso pode resultar em coisa boa. Mas também pode desaguar em aventura e frustração.

Parte do eleitorado parece procurar o candidato desconhecido, capaz de saciar a fome de decência e de rumos que está no ar. No principal cenário sem Lula, os eleitores que informam não ter candidato —votarão em branco, anularão o voto ou estão indecisos— somam impressionantes 36%. É uma taxa de desalento sem precedentes. Para essas pessoas, o Brasil virou um conto do vigário no qual todos caíram. É um entendimento cômodo. Evita que o eleitor enxergue um culpado no espelho. Mas isso não resolve o problema. O governo moralmente sustentável a que o brasileiro tem direito não nascerá da passividade.