Discurso do deputado José Adécio no plenário da ALRN, dia 08/08/2017

Senhores deputados, senhoras deputadas, público nas galerias, servidores desta Casa e todos que nos acompanham pela TV Assembleia, Rádio Assembleia e redes sociais…

Já dizia o ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln: “Pecar pelo silêncio, quando deveria protestar, transforma homens em covardes”. O homem que nasce covarde deveria ter vergonha de ter nascido homem.  Agradeço ao poder divino a dádiva de ter me poupado ao sentimento do medo.

Registro aqui um fato lamentável contra o Poder Legislativo do Rio Grande do Norte, ocorrido na manhã de ontem, na abertura da AGROPEC, no Parque de Exposições Aristófanes Fernandes, em Parnamirim.
O evento que reúne até hoje ruralistas de todo o Nordeste ligados ao agronegócio, estudantes, pesquisadores, criadores, agricultores e tantos outros segmentos ligados ao semiárido nordestino, foi aberto com as presenças de diversas autoridades, entre as quais o governador Robinson Faria; o presidente da Confederação Nacional da Agricultura, João Martins; senador Garibaldi Alves Filho; deputado federal Antônio Jácome e os deputados estaduais Tomba Farias, Hermano Morais, Jacó Jácome e esse que vos fala, José Adécio Costa, indicado pelo presidente Ezequiel de Souza para representar esta Casa.

Agradeço ao presidente Ezequiel por ser escolhido para representar a Assembleia. Tenho certeza que essa deferência foi motivada pelo meu conhecimento com a criação de gado bovino, caprino e ovino, com minha ligação com o campo e por ser, como um dos participantes, muito ligado ao semiárido.
Senhoras e senhores, qual foi minha surpresa ao saber que não teria direito à fala, por determinação do presidente da Federação dos Agricultores do Rio Grande do Norte (FAERN), José Álvares Vieira. Indelicado, insensível, agindo como o dono da verdade e com arrogância inerente aos incompetentes, este indivíduo calou, por alguns instantes, a voz do Poder Legislativo Potiguar.

Eu não estava ali somente como detentor de nove mandatos eletivos e com 41 anos na vida pública. Eu não tinha interesse em falar por falar, em querer aparecer, em desejar destaque em detrimento dos colegas parlamentares, mas eu exigia falar em nome da Assembleia Legislativa, porque essa era minha missão e não sou homem de não cumprir as determinações que recebo.  Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte foi desrespeitada, humilhada, acanalhada, em um evento de grande importância, diante de milhares de pessoas, por um incompetente.

Depois de tudo, talvez tentando se redimir da cena deplorável que protagonizou, o presidente da FAERN me chamou para entregar uma homenagem pessoal. Neste momento, ao subir ao palco, pedi o microfone para dizer algumas palavras em nome do Poder Legislativo para o qual fui indicado, mas fui impedido por José Vieira.

Foi quando reagi, ao meu estilo, com a coragem que o Rio Grande do Norte sabe que tenho. Pedi desculpas ao governador Robinson, ao senador Garibaldi Filho – que se retirou também da solenidade, não sei se por compromissos extras ou por também ter sido impedido de falar como um dos mais legítimos representantes do Senado Federal e um homem de humildade reconhecida por todos – e ao presidente da CNA, João Martins, e disse ao público, mesmo sem auxílio do microfone, que recusava receber qualquer que fosse a homenagem de um sujeito tão despreparado. Pensei em ir embora, mas como homem de bom senso, fiquei para ouvir as palavras do governador Robinson Faria.

Não é de hoje que conheço o senhor José Álvares Vieira. No Governo da saudosa governadora Wilma de Faria, fui o relator da CPI do Leite aqui na Assembleia, onde foi constatado que ele estava envolvido com irregularidades, enquanto funcionário de uma empresa de laticínios aqui no Estado, provocando prejuízo do Programa do Leite. Ele adulterava o leite. Ele colocava produtos químicos no leite talhado. O que estou afirmando é fruto das investigações da CPI. É este o homem que não deixa a Assembleia Legislativa ter voz durante evento sob o seu comando. Durante nove meses, senhores e senhoras deputados, trabalhei na CPI do Leite tendo como companheiro o ex-procurador de Justiça do Estado, o promotor Rinaldo Reis. O resultado do nosso trabalho foi um relatório apontando diversos acusados, entre eles o senhor José Vieira. Este documento está no Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, na Casa Civil do Governo do Estado, no Ministério Público Estadual, no cofre da Assembleia Legislativa e em meu poder.

Repudio, senhores e senhoras deputados, a atitude do presidente da FAERN, ao mesmo tempo que lamento o fato dos colegas Tomba Farias e Hermano Morais terem ido receber comenda em nome da Assembleia em meu lugar, que ali representava esta Casa Legislativa. Se um deles tivesse em meu lugar e tivesse sido afrontado como eu fui e eu estivesse no lugar deles, não teria me submetido, me curvado a um convite feito por um despreparado, repito, despreparado e incompetente que impediu a voz da Nossa Casa, a qual no momento eu representava.

Trarei a este plenário a votação de um título de “persona non grata” a este tal de José Vieira, mineiro que acredita ser detentor de poder para macular a imagem da nossa instituição, a qual zelo e defendo há mais de três décadas.

Aos que participam da AGROPEC, minhas considerações. Espero que não saiam daqui levando a imagem de um Estado onde o representante legal do Poder Legislativo é impedido de falar por um presidente de entidade fraco e incompetente. O senhor José Álvares Vieira não é digno para falar em nome do nosso Estado. Eu e os demais parlamentares da Assembleia Legislativa somos, porque fomos eleitos pelo povo como seus legítimos representantes.

Natal(RN), 08 de agosto de 2017.

Muito obrigado.

José Adécio

Caro(a) jornalista,

Eis a cópia (arquivo em anexo) do discurso lido terça-feira(08) no Plenário desta Casa Legislativa.
Reafirmo o que disse e esclareço, mais uma vez, que pedi para não ser aparteado, porque não gostaria de interromper minha fala, da qual assumo total responsabilidade, após consulta junto a minha assessoria jurídica.
Em 41 anos de vida pública, talvez tenha sido o meu pronunciamento mais árduo, motivado pelo desrespeito a que essa Assembleia Legislativa foi submetida, quando eu, representante legal dessa sede do Poder Legislativo, fui impedido de falar em um evento comandado pelo presidente da FAERN, José Álvares Vieira.
Vivo meu melhor momento político. Jamais me curvarei diante de quem quer que seja, quando eu perceber que a imagem da Assembleia Legislativa corre, pelo menos, ameaça de ser atingida pelo silêncio promovido pelos despreparados e incompetentes.
Continuarei, república e democraticamente, respeitando as posições dos nobres colegas parlamentares. Igualmente, seguirei na defesa da liberdade de expressão, com a certeza que o povo do Rio Grande do Norte não espera outra posição minha, a não ser a lealdade e a firmeza em lutar pelos princípios que norteiam os homens de bem.
Respeitosamente, dirijo-me à classe fundamental ao pleno exercício da democracia, formada pelos comunicadores sociais, no intuito de informar a verdade.

Natal(RN), 09 de agosto de 2017.

Atenciosamente,
José Adécio