IMT e OMS realizam atividades no Janeiro Roxo contra a hanseníase

Dados são atualizados pelo dermatologista Maurício Lisboa Nobre, assessor para hanseníase na OMS e parceiro no trabalho do Instituto de Medicina Tropical – Cícero Oliveira

Uma campanha pouco difundida, mas com grande relevância para a saúde, o Janeiro Roxo chama atenção para o perigo e as necessidades do cuidado e tratamento contra a hanseníase. Para reforçar a preocupação em relação a essa doença, a UFRN, por meio do Instituto de Medicina Tropical (IMT) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), realiza, neste mês, duas atividades de atenção e diagnóstico a possíveis novos infectados. As ações acontecem no dia 27, na Unidade Clínica do IMT, em Natal, e no dia 30, no PAM do Bom Jardim, em Mossoró.

Durante todo o dia, uma equipe de profissionais receberá todas as pessoas que apresentem manchas dormentes pelo corpo, lesões crônicas ou que tiveram contato com pacientes já diagnosticados. Após uma triagem, aqueles que apresentarem sintomas da infeção serão encaminhados por médicos para iniciarem o tratamento. Natal e Mossoró são os municípios com maior registro dessa patologia no estado.

Conhecida inicialmente como lepra, a hanseníase foi responsável pela morte e exclusão de um número gigante de pessoas ao longo da história. Apesar de tão antiga, identificada desde 600 anos antes de Cristo, essa infecção ainda é uma endemia no Brasil, que concentra o segundo maior número de casos no mundo, atrás apenas da Índia. Em 2018, foram notificados 28.800 novos pacientes, segundo relatório da OMS.

Segundo o médico dermatologista Maurício Lisboa Nobre, assessor para hanseníase na OMS, essa doença está associada a condições socioeconômicas da população, mas, talvez, um de seus principais problemas seja a negligência, o que provoca muitos diagnósticos tardios. “Essa é uma doença que tem cura, tratada com antibiótico, mas que se não cuidar logo, potencialmente pode causar incapacidade física”, explica.

Selma Jerônimo, diretora do IMT, alerta para urgência de tornar esse problema cada vez mais conhecido da população, para evitar que a doença continue se espalhando e causando tantos estragos. Segundo ela, o trabalho do Instituto de Medicina Tropical tem ajudado nesse percurso, não só identificando as áreas de risco e atuando junto às localidades, mas também buscando entender o mecanismo de transmissão e proliferação, além de oferecer novas possibilidades de diagnóstico e tratamento.

Hanseníase?

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) a hanseníase é uma doença infecciosa, de evolução crônica (muito longa) causada pelo Mycobacterium leprae, microorganismo que acomete principalmente a pele e os nervos das extremidades do corpo. A transmissão se dá de indivíduo para indivíduo, por germes eliminados por gotículas da fala e que são inalados por outras pessoas penetrando o organismo pela mucosa do nariz. Outra possibilidade é o contato direto com a pele através de feridas de doentes.

A hanseníase tem quatro ciclos e pode se manifestar apresentando desde lesões claras e dormentes a até alterações nos nervos próximos às lesões, podendo causar dor, fraqueza e atrofia muscular. Em sua forma mais grave, a hanseníase virchowiana, o paciente apresenta um quadro mais grave com anestesia dos pés e mãos, o que favorece os traumatismos e feridas que podem causar deformidades, inchaço das pernas e surgimento de nódulos. Os órgãos internos também são acometidos pela doença.

UFRN

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