Pior já passou, mas Covid-19 ainda vai custar muitas vidas, diz pesquisador

O infectologista Júlio Croda, pesquisador da Fiocruz, fala à CNN e faz balanço dos seis meses da pandemia da Covid-19 no Brasil

No dia em que o Brasil completa seis meses do primeiro caso confirmado de Covid-19, o infectologista Júlio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), afirmou à CNN, nesta quarta-feira (26), que o país saiu do platô no número de mortes e que já passou pelo pior momento da pandemia.

“Acredito que a gente já passou pelo pior momento da pandemia. Depois de mais de 90 dias em torno de mil mortes diárias, temos a média móvel de mortos e casos mostrando uma queda, então a gente sai desse platô”, afirmou ele.

De acordo com o infectologista, uma tendência de queda “possivelmente vai ser observada nas próximas semanas”, mas a pandemia “ainda vai custar muitas vidas”. “Ainda teremos muitos que adoecerão pela Covid-19”, acrescentou.

Apesar da tendência de queda no número de vítimas da Covid-19 no país, Croda frisou que é difícil traçar uma expectativa sobre o momento em que a população poderá voltar à vida normal, abandonando as máscaras e o distanciamento social. 

“A vida normal, como vivíamos no passado, só após a vacina, então só a partir de 2021. Tem gente que estima que seja só a partir do segundo semestre, porque o primeiro será dedicado à produção, distribuição e vacinação de grupos de risco”, estimou. “Teremos que viver um bom tempo com as medidas preventivas”.

Para o pesquisador, principal erro do Brasil no combate à pandemia ocorreu na comunicação sobre a doença. “A gente teve muita dificuldade de passar para a população as medidas de distanciamento, que eram superimportantes no início, principalmente para evitar esse número de mortes ao qual chegamos hoje e as 3,6 milhões de pessoas infectadas”, defendeu.

Nessa terça-feira (25), no último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde antes da data em que o primeiro caso completou seis meses, o Brasil totalizou 3.669.995 casos confirmados e 116.580 mortes.

Da CNN Brasil