Filas em agências para desbloqueio de contas: “Mais uma vez, faltou planejamento”, diz federação de bancários da Caixa

Após dois dias de retorno das longas filas e aglomerações em agências da Caixa Econômica Federal em diferentes locais do país, a direção do banco divulgou, só nesta quinta-feira (23), um calendário de atendimento aos beneficiários do auxílio emergencial que tiveram a conta social digital bloqueada. Na última terça-feira (21), o banco bloqueou cerca de 3,1 milhões de contas — acessadas por meio do aplicativo Caixa TEM — por suspeitas de fraudes no recebimento do benefício ou inconsistências de documentação.

“Mais uma vez, o presidente da Caixa [Pedro Guimarães] demonstra que não está preocupado com a vida nem da população nem dos bancários”, ressalta o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae). “De forma atabalhoada, manda milhares de pessoas se dirigirem às agências, sem nenhum planejamento, demonstrando novamente falta de capacidade administrativa e expondo tantas pessoas a transtornos como este e à contaminação pelo coronavírus”, acrescenta.

Conforme lembra Takemoto, além do bloqueio das contas nesta semana, intermitências no aplicativo para a movimentação do auxílio de R$ 600 e também do FGTS emergencial, registradas nos últimos dias, também ocasionaram filas em agências de diversos estados, como Rio de Janeiro, Bahia e Amapá, entre outros.

“É evidente que as fraudes devem ser combatidas. Mas, não seria possível planejar melhor esse deslocamento às agências para não colocar a saúde e a vida das pessoas em risco?”, analisa o presidente da Fenae.

Em reportagem publicada hoje na imprensa, Pedro Guimarães, ao falar sobre os golpes virtuais cometidos por hackers — ação que também levou ao bloqueio das mais de 3 milhões de contas digitais — disse que a Caixa vai “ressarcir” as contas invadidas. “Mas, pode demorar. Então, se demorar duas ou três semanas para provar, é um tempo em que pessoas carentes vão ficar sem o recurso”, afirmou o presidente do banco.